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Polifarmácia: o risco do uso de muitos remédios em idosos

A revisão periódica dos medicamentos é fundamental para a segurança e qualidade de vida. Saiba quando e por que revisar a lista de remédios com um geriatra.

Dr. Ednor NetoGeriatra e PsicogeriatraPublicado em 22 de janeiro de 2025Atualizado em 6 de março de 20265 min de leitura
Nota clínica: Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. As informações não substituem a avaliação clínica individualizada por um médico especialista.

O que é polifarmácia e por que é comum em idosos

Polifarmácia é definida pelo uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Em idosos, essa situação é especialmente prevalente: dados brasileiros indicam que mais de 25% dos idosos usam cinco ou mais medicamentos, e em pacientes hospitalizados esse número pode ultrapassar 50% [1].

A explicação está na acumulação de doenças crônicas ao longo do tempo — hipertensão, diabetes, osteoporose, dislipidemia — cada uma tratada por um especialista diferente que, muitas vezes, não tem visão do conjunto. Resultado: uma lista crescente de remédios, frequentemente sem revisão integrada.

Por que a polifarmácia é perigosa para o idoso

O organismo do idoso metaboliza os medicamentos de forma diferente do adulto jovem. A função renal e hepática declina, a gordura corporal aumenta e a massa muscular diminui — tudo isso altera a distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos. Um remédio calculado para um adulto de 40 anos pode ser excessivo para um idoso de 80 [2].

  • Interações medicamentosas — risco exponencial com cada novo fármaco adicionado
  • Efeitos adversos mais frequentes e intensos — quedas, confusão mental, sangramento
  • Desprescição difícil — o paciente e a família resistem a retirar remédios por medo
  • Baixa adesão — quanto mais remédios, pior a adesão ao tratamento
  • Cascata iatrogênica — novo remédio para tratar efeito colateral do anterior
O Critério de Beers, publicado pela American Geriatrics Society, lista os medicamentos potencialmente inapropriados para idosos. Entre os mais comuns: benzodiazepínicos (ansiolíticos e indutores de sono), anti-histamínicos de primeira geração, alguns analgésicos e relaxantes musculares.

A revisão de medicamentos com o geriatra

O geriatra é o especialista treinado para realizar a revisão integrada de todos os medicamentos — processo chamado de reconciliação e desprescição. O objetivo não é simplesmente retirar remédios, mas avaliar o balanço risco-benefício de cada um à luz do estado clínico atual, expectativa de vida e preferências do paciente [3].

Uma revisão bem conduzida pode reduzir o número de medicamentos, diminuir efeitos adversos, melhorar a qualidade do sono e até reverter quadros de confusão mental atribuídos equivocadamente à demência. Agende uma consulta para avaliação completa.

Quando revisar a lista de medicamentos

  • Após qualquer internação hospitalar
  • Quando um novo especialista prescreve um medicamento adicional
  • Quando aparecem sintomas inexplicados: queda, confusão, tontura
  • Anualmente — mesmo sem sintomas — a partir dos 65 anos
  • Quando o idoso relata dificuldade para tomar todos os remédios corretamente
Perguntas Frequentes
Posso parar de tomar um remédio por conta própria se achar que está fazendo mal?+
Não. A suspensão abrupta de alguns medicamentos (anti-hipertensivos, corticoides, anticonvulsivantes) pode causar reações graves. Sempre converse com seu médico antes de alterar qualquer tratamento.
O geriatra pode alterar prescrições feitas por outros especialistas?+
Sim. O geriatra tem competência para revisar e ajustar qualquer medicamento. O ideal é que haja comunicação entre os especialistas, mas a segurança do paciente é a prioridade.
Quantos remédios é considerado muito para um idoso?+
Cinco ou mais medicamentos diários caracteriza polifarmácia. Mas o número em si não é o único critério — o que importa é se cada medicamento tem indicação clara, dose adequada e se o conjunto não gera interações perigosas.
Referências Científicas
  1. [1]Oliveira MG et al.. Consensus of the Brazilian Pharmacists Association on potentially inappropriate medications for elderly patients. Geriatrics, Gerontology and Aging. 2016.
  2. [2]McLachlan AJ, Pont LG. Drug metabolism in older people — a key consideration in achieving optimal outcomes with medicines. Journals of Gerontology: Biological Sciences. 2012. doi:10.1093/gerona/gls063
  3. [3]American Geriatrics Society. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. Journal of the American Geriatrics Society. 2023. doi:10.1111/jgs.18372

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