Polifarmácia: o risco do uso de muitos remédios em idosos
A revisão periódica dos medicamentos é fundamental para a segurança e qualidade de vida. Saiba quando e por que revisar a lista de remédios com um geriatra.
O que é polifarmácia e por que é comum em idosos
Polifarmácia é definida pelo uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Em idosos, essa situação é especialmente prevalente: dados brasileiros indicam que mais de 25% dos idosos usam cinco ou mais medicamentos, e em pacientes hospitalizados esse número pode ultrapassar 50% [1].
A explicação está na acumulação de doenças crônicas ao longo do tempo — hipertensão, diabetes, osteoporose, dislipidemia — cada uma tratada por um especialista diferente que, muitas vezes, não tem visão do conjunto. Resultado: uma lista crescente de remédios, frequentemente sem revisão integrada.
Por que a polifarmácia é perigosa para o idoso
O organismo do idoso metaboliza os medicamentos de forma diferente do adulto jovem. A função renal e hepática declina, a gordura corporal aumenta e a massa muscular diminui — tudo isso altera a distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos. Um remédio calculado para um adulto de 40 anos pode ser excessivo para um idoso de 80 [2].
- Interações medicamentosas — risco exponencial com cada novo fármaco adicionado
- Efeitos adversos mais frequentes e intensos — quedas, confusão mental, sangramento
- Desprescição difícil — o paciente e a família resistem a retirar remédios por medo
- Baixa adesão — quanto mais remédios, pior a adesão ao tratamento
- Cascata iatrogênica — novo remédio para tratar efeito colateral do anterior
A revisão de medicamentos com o geriatra
O geriatra é o especialista treinado para realizar a revisão integrada de todos os medicamentos — processo chamado de reconciliação e desprescição. O objetivo não é simplesmente retirar remédios, mas avaliar o balanço risco-benefício de cada um à luz do estado clínico atual, expectativa de vida e preferências do paciente [3].
Uma revisão bem conduzida pode reduzir o número de medicamentos, diminuir efeitos adversos, melhorar a qualidade do sono e até reverter quadros de confusão mental atribuídos equivocadamente à demência. Agende uma consulta para avaliação completa.
Quando revisar a lista de medicamentos
- Após qualquer internação hospitalar
- Quando um novo especialista prescreve um medicamento adicional
- Quando aparecem sintomas inexplicados: queda, confusão, tontura
- Anualmente — mesmo sem sintomas — a partir dos 65 anos
- Quando o idoso relata dificuldade para tomar todos os remédios corretamente
- [1]Oliveira MG et al.. Consensus of the Brazilian Pharmacists Association on potentially inappropriate medications for elderly patients. Geriatrics, Gerontology and Aging. 2016.
- [2]McLachlan AJ, Pont LG. Drug metabolism in older people — a key consideration in achieving optimal outcomes with medicines. Journals of Gerontology: Biological Sciences. 2012. doi:10.1093/gerona/gls063
- [3]American Geriatrics Society. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. Journal of the American Geriatrics Society. 2023. doi:10.1111/jgs.18372
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